quinta-feira, 9 de abril de 2009

Necessidade com arte


Olha que bonito:

Está rolando uma manifestação em Barcelona pelo aumento das áreas verdes no centro da cidade.
Este tema já foi várias vezes comentado aqui no blog. Barcelona é uma cidade irritantemente pavimentada.
A intervenção urbana consiste em colocar vasos de plantas nos bueiros e visitas da rede de drenagem. Como se a natureza atravessasse a pavimentação da cidade e brotasse do solo.

Veja o que diz o coletivo:

En un plano más teórico, el colectivo Subcity entiende que las ciudades necesitan espacios verdes, no sólo para ser más bonitas, sino también porque "nos hacen sentir bien, nos permiten relacionarnos con nosotros mismos y con los demás y atenúan la alienación con las que significamos a las grandes urbes".

Mais informações em:
http://www.lavanguardia.es/ciudadanos/noticias/20090409/53678261889/plantan-flores-en-las-alcantarillas-para-pedir-mas-espacios-verdes-barcelona-ciutat-vella-reino-unid.html

3 comentários:

Cecilia disse...

Parece a poesia de Drummond:
A Flor e a Náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Adriana disse...

Adorei!

Flavia disse...

Eu sou a favor do movimento "Refloresta Rio" de retirada das favelas e reflorestamento dos morros da cidade.

E se alguem tem pena de favelado, que os leve para casa...